De onde vimos e para onde vamos.

Desde que nos lembramos, o Alvarinho sempre esteve presente no nosso Território. Tradicionalmente, na nossa região, as videiras eram plantadas nas bordaduras dos campos, com os cereais a ocuparem lugar central nas parcelas. Em 1974, João António Cerdeira e os seus pais, António Esteves Ferreira e Maria Cerdeira, decidiram quebrar essa tradição e plantaram a primeira parcela de vinha contínua da casta Alvarinho em Melgaço. O pioneirismo de João António marcou a história da nossa família, que desde aí está ligada à produção de Alvarinho no nosso Território.

Hoje, a terceira geração da família, os irmãos Maria João e António Luís, juntamente com a sua mãe, Maria Palmira Cerdeira, continuam o projeto familiar. António Luís, formado em Enologia, construiu um profundo conhecimento da casta Alvarinho ao longo da vida. Maria João, veterinária de profissão, assume a responsabilidade pela viticultura e introduziu com sucesso o modo de produção biológico nas nossas vinhas.

A nossa visão estende-se ao Território e inclui a revitalização sustentável do meio rural envolvente. Isto levou-nos a investir no enoturismo e, mais recentemente, na produção de Infusões biológicas.

1974 – Origens

Tudo começou em 1974, quando João António Cerdeira plantou uma pequena parcela de vinha toda ela com a casta Alvarinho. Esta parcela chamava-se “Soalheiro” porque, devido à sua localização, recebe a luz do sol durante todo o dia. Uns anos depois, em 1982, João António transformou a sua paixão pela vinha e pelo vinho numa pequena produção familiar independente, tirou o Ford Escort vermelho da garagem da família e esta passou a ser a adega do Soalheiro, a primeira marca de Alvarinho em Melgaço. Hoje, a nossa primeira parcela de Alvarinho é aquela de onde provêm as uvas que dão origem ao “Primeiras Vinhas”, um vinho que transporta a paixão que temos pelas nossas primeiras videiras:

1994 – Tradição de Inovação

A primeira vindima de António Luís no Soalheiro, em 1994, não foi fácil: “Os objetivos da adega eram muito elevados e os vinhos tinham de ser perfeitos”, recorda. No entanto, um ano depois, em 1995, a vindima foi marcada pelo lançamento do primeiro espumante de Alvarinho. Nessa altura, este lançamento foi uma novidade – hoje em dia, este estilo de vinho já é elaborado em toda a Região dos Vinhos Verdes e na região das Rias Baixas na Galiza. A inovação que se transforma em tradição é, sem dúvida alguma, um dos valores mais importantes no Soalheiro.

2005 – A mesma essência com outra aparência

Um dos pontos de viragem na nossa história aconteceu em 2005, quando mudámos completamente a imagem dos nossos vinhos, mantendo o lettering que ainda nos define até hoje. A garrafa verde original foi substituída por uma garrafa de cor castanho-escuro para proteger melhor o vinho do efeito da luz e o rótulo foi alterado para um design mais moderno, simples e direto.

2006 – Agricultura Biológica

O amor de Maria João pela Natureza, pelas plantas e pelos animais, levou-a a abraçar a gestão da viticultura de todas as nossas vinhas e, paralelamente, a dedicar-se ao trabalho da medicina veterinária. Assim, em 2006, fruto da vontade em preservar o meio ambiente e promover a biodiversidade, Maria João conseguiu obter a certificação de Produção Biológica de todas as nossas vinhas. Esta certificação foi mais uma iniciativa pioneira do Soalheiro na região. Todas as práticas vitícolas que implementamos visam promover a sustentabilidade ambiental e fomentar a biodiversidade nos ecossistemas e é dentro deste espírito que colaboramos com as mais de 150 famílias de viticultores que fazem parte do nosso Clube de Produtores. No caso do Soalheiro, parte das uvas provenientes das vinhas em modo de produção biológico vão dar origem aos nossos vinhos naturais – o Terramatter e o Nature.

2007 – Dimensões do Alvarinho

O Alvarinho, em todas as suas dimensões, será sempre o nosso foco principal. Em 2006, lançámos o Primeiras Vinhas, das nossas videiras mais antigas, e o Reserva, um Alvarinho fermentado em barricas, sublinhando a diversidade de expressões possíveis desta casta. Em 2007, fizemos o nosso primeiro blend de Alvarinho com outras castas: o ALLO. O nome deste vinho soa como uma simpática saudação, mas ele resulta da junção das letras iniciais de Alvarinho e de Loureiro – duas das castas nobres da Região do Minho. Oppaco é outro dos vinhos que ocupa um lugar muito especial no Soalheiro: é o nosso primeiro e único vinho tinto. Este tinto é o resultado de um lote de Alvarinho, Vinhão e Pinot Noir e veio assim trazer uma nova dimensão aos vinhos tintos da nossa região.

2015 – Alvarinho de altitude

A elasticidade do Alvarinho e a diversidade do nosso Território inspiraram-nos a explorar as vinhas de altitude. Localizadas a altitudes superiores a 400 metros, estas vinhas produzem vinhos com mais mineralidade que os “clássicos” vinhos do vale. Em 2015 lançámos o Granit, uma expressão mineral do Alvarinho oriundo de vinhas de altitude. O sucesso deste vinho encorajou-nos a continuar a experimentar com o Alvarinho em grandes altitudes, levando-nos a plantar a vinha mais alta de Alvarinho em Portugal. Com a constante ameaça das alterações climáticas, é importante estudar situações extremas para construir conhecimento e desenvolver soluções. Estas experiências preparam-nos para o futuro e asseguram que a tradição do vinho no nosso Território vai continuar.

2018 – Sustentabilidade em todas as suas vertentes

O nosso propósito de contribuir para o desenvolvimento da agricultura da região e da economia local transformou o Soalheiro numa família de famílias. Hoje somos uma equipa com mais de 30 pessoas e formamos um clube com mais de 150 famílias de viticultores. Grande parte do nosso Clube de Produtores tem outras ocupações profissionais e trabalha pequenas parcelas ao fim do dia e fins de semana, tratam as vinhas como jardins e fornecem-nos uvas de primeiríssima qualidade. Todo o trabalho desenvolvido nas suas vinhas é feito de acordo com as práticas de uma viticultura sustentável, pois essa é uma das nossas exigências de qualidade, e todos eles contam com o nosso apoio e colaboração. Para além do Clube de Produtores, temos um projecto de produção de Infusões que contribui localmente para uma maior sustentabilidade sócio-económica, ambiental e cultural. Este projeto cria novas oportunidades de desenvolvimento para a região e, ao mesmo tempo, revitaliza a produção de plantas da flora local para fazer as infusões. Por fim, o Projeto Germinar tem como missão o apoio social. Este projecto visa contribuir para uma melhor integração social de jovens e de adultos com deficiência mental nos trabalhos da vinha. Para nós o Projeto Germinar é muito mais do que um vinho: é um absoluto despertar da nossa consciência para a importância e para a necessidade da igualdade de oportunidades para todos nós.

2019 – O lançamento do Centro de Inovação do Soalheiro

O ano de 2019 marcou o lançamento do nosso Centro de Inovação, tornando-nos na primeira adega em Portugal certificada em Investigação, Desenvolvimento e Inovação (NP 4457, baseada no Manual de Oslo da OCDE). Esta certificação ajuda-nos a gerir eficazmente as nossas ideias e projetos, reforçando a nossa capacidade de criar valor nos Vinhos Verdes e de procurar novas dimensões no Alvarinho de Monção e Melgaço. O carácter pioneiro do trabalho da nossa adega abriu o caminho para uma série de projetos de inovação. Estes projectos abrangem diversas áreas, tais como a rastreabilidade dos produtos, a melhoria dos processos de produção, o desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), a melhoria da qualidade das produções, a optimização das práticas de viticultura, o desenvolvimento do Enoturismo, entre muitas outras áreas. Dentre os projectos mais recentes, destacam-se a plantação da vinha de Alvarinho mais alta de Portugal, o projecto da cobertura vegetal da nova adega, o lançamento de uma garrafa de design exclusivo e ecoficiente e as experiências turísticas de enoturismo digital.

2020 – A nossa estratégia de sustentabilidade

Pensar na eficiência ambiental levou-nos a repensar muitos dos nossos procedimentos, focando-nos em caminhos para sermos mais sustentáveis a cada dia. Em 2020 criámos um garrafa de design exclusivo e ecoeficiente que permitiu uma redução de 19% nas emissões de CO2 no seu fabrico. A aposta na produção em Portugal da nova garrafa reduziu as emissões de CO2 no transporte em 8,5 vezes. As caixas do Soalheiro também foram personalizadas, consumindo agora menos 39% de cartão, oriundo de florestas geridas de modo responsável (certificado FSC). Em abril de 2020, no âmbito da nossa parceria com o The Porto Protocol, desenvolvemos uma cobertura vegetal na modernização da adega, que além de um melhor enquadramento paisagístico, trará uma poupança energética estimada de 26% ao ano.

Desde sempre, para sempre: o Território

O compromisso com o nosso Território – que tratamos por maiúscula, porque nele cabe não só a terra, como as pessoas que a trabalham e a biodiversidade que nela habita – está presente no Soalheiro desde sempre. O nosso compromisso com a sustentabilidade é muito mais do que uma resposta a uma clara emergência climática e de preservação do planeta. Faz parte da nossa natureza, enquanto produtores que sempre viveram da terra, protegê-la – as pessoas, todas as famílias com quem trabalhamos, a cultura do vinho, a paisagem. O Território. Muitas coisas mudaram, outras são para sempre. Vamos continuar.

Mergulhe na história do Soalheiro

As nossas experiências de enoturismo oferecem uma vasta gama de possibilidades de fazer parte da nossa vida quotidiana no Soalheiro e de conhecer o nosso Território. Venha apreciar a paisagem única, provar alguns dos nossos vinhos preferidos e desfrutar da gastronomia regional.